Trabalho Remoto: oportunidade ou ameaça?

Cada vez mais as organizações buscam otimizar tempo e minimizar custos e, atualmente percebemos que algumas posições estratégias estão alocadas em grandes centros e suportam os demais colaboradores em outras localidades.

Diante deste cenário, é necessário que as tele ou videoconferências se tornem frequentes, não só para o dia a dia do trabalho mas também para integrar as áreas e divisões das empresas que, em grande maioria, tem sede fora do País.

Sem dúvida, é um recurso que facilita bastante o trabalho e aproxima as práticas na organização. Contudo, em se tratando de um recurso tecnológico, pode dificultar o processo de comunicação trazendo barreiras para a codificação da mensagem.

Além destas possíveis interferências, percebemos que, de fato, é uma ferramenta utilizada para alinhar os pontos mais importantes a serem discutidos e, por esta razão, alguns acreditam que a reunião só começa quando o que foi definido por meio da videoconferência se transforma na “pauta” do dia. E, é então que, ali, sentados à mesa, frente a frente podem conversar melhor sobre o assunto, de forma que todos participem efetivamente e que as reações, percepções e sensações estejam mais vivas.

Se pensarmos na história da evolução do trabalho, notamos que há um contexto bastante significativo para a relação presença X produtividade. Contudo, existem questões culturais acerca do melhor aproveitamento desta prática das tele ou videoconferências. Muito embora saibamos que os americanos trabalham com mais frequência por meio deste recurso, já podemos observar que o brasileiro vem iniciando sua inserção neste cenário, mas ainda considerando que a distância pode ser uma ameaça à produtividade.

Vemos no mercado, e em grande escala, que as organizações ainda acreditam que avaliar a “produtividade” do seu colaborador está diretamente relacionada com sua disponibilidade para a empresa, que é medida por suas horas no trabalho. Ou seja, se você chega às 09h e sai às 18h, independente da quantidade e qualidade de horas que você produziu no dia, seu gestor vê que você está ali e acredita que você está lá “trabalhando”, logo você é alguém que produz.

É neste contexto que o modelo de gestão por competências e remuneração por resultados vem crescendo notoriamente em nossas culturas organizacionais, pois o desempenho e o potencial do colaborador é avaliado por sua efetiva produtividade e pelos desafios que pode assumir. Quando a organização e a cultura organizacional prezam por esta relação, à distância deixa de ser ameaça e a produtividade e consequência da competência de quem faz.

Solucionar as dificuldades apontadas pelo trabalho remoto é mais simples do que supomos, o modelo de competência está a favor desta prática, a grande questão é, estamos, nós brasileiros, preparados para produzir e gerir neste modelo?

0 interações

Deixe seu comentário

Quer compartilhar suas ideias?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *